segunda-feira, 25 de abril de 2011

Centro de gravidade em velas aluadas...

Boas!

Ao tomarem conhecimento das alterações do Cusco, muita gente tem me perguntado se com o deslocamento do centro de gravidade o barco não iria adernar demais. Minha resposta sempre foi que essas velas se comportam de forma diferente das triangulares, pois "abrem" a valuma nas rajadas e quando a escota é folgada, o que reduziria o adernamento do barco.

Mas hoje o Arnaldo Andrade deu uma aula a respeito no fórum da revista náutica e, por isso, peço licença a ele para transcrever sua explicação, muito mais técnica e adequada que a minha:

"A pergunta é pertinente porque fomos toda a vida embalados pela idéia de que o centro de esforço de uma vela coincide com o seu baricentro geométrico, considerando-se a vela como uma figura plana. Ora, isso mal-e-mal é verdade em velas triangulares. Nas velas fortemente aluadas o raciocínio tem que ser outro. E porque? Porque as velas são figuras tri-dimensionais "em hélice". Significa que se criarmos segmentos de reta horizontais chamados "cordas" entre a testa e a valuma da vela, essas cordas não serão paralelas entre si: as inferiores farão um ângulo de cinco a dez graus com a linha de centro do barco (isso no contravento) ao passo que as mais altas chegarão a ângulos de 18-22 graus em barcos mastreados ao tope e velas fortemente aluadas. Essas áreas mais elevadas da vela geram mais força propulsiva e menos arrasto do que as equivalentes nas velas triangulares (vetores adequadamente "torcidos" para frente). Então o centro de esforço sobe mas o momento adernante (criado apenas pelo componente da força total perpendicular ao plano da mastreação) não sobe tanto. Isso se percebe quando se veleja esse tipo de vela em barcos adaptados, que antes não a tinham.

Além do mais a vela fortemente aluada de valuma responde rapidamente nas rajadas e de duas formas (1) dinamicamente, isto é, de forma automática, e (2) manualmente, isto é, mediante alívio na escota e/ou no traveller. Os DOIS comportamentos são muito mais óbvios e eficientes nas novas velas aluadas o que traduzido em miúdos quer dizer que as novas velas são mais dóceis nas rajadas.

E por conta de tudo o que está escrito acima que essas velas, apesar de uma subida perceptível no centro de esforço aerodinâmico, comportam-se muito bem, tanto em barcos para ela adaptados quanto em barcos novos. Como se viu, esse melhor comportamento está ligado a fatores geométricos, aerodinâmicos e construtivos (especialmente nas velas de layout tri-radial).

SDS


Arnaldo Paes de Andrade".

É isso ai, quem sabe sabe... e enquanto isso, até sexta-feira o Cusco deve vir para o seco.

Bons ventos!

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